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Fim do congelamento
Postado por | Imprensa Local | 01-03-2010 as 16:55
Da coluna Rova Viva, no Novo Jornal
Requentar, segundo o dicionário Aurélio, é “tornar a aquecer; submeter demoradamente a ação do calor: requentar caldo para que se apure; Impregnar-se uma iguaria de fumaça ou adquirir mau sabor”.
O dicionarista não capitulou no verbete o uso do termo quando se trata de noticiário.
Requentar uma notícia é publicar um assunto velho, já devidamente esclarecido, como se fosse fato novo.
Acusado – pelo Ministério Público – como “autor intelectual” do Foliaduto, o médico Carlos Farias disse que o autor destas mal traçadas estava tentando que1quentar o assunto. Requentar como?
Um dos maiores escândalos da administração pública, revelado há quatro anos, voltou ao noticiário exatamente para se saber se havia algum esclarecimento e qual era a posição da Justiça.
Ficou claro que os tais esclarecimentos não foram oferecidos, e a Justiça tinha esquecido o assunto. O Foliaduto estava congelado e não requentado.
O processo engavetado, apesar da denúncia formal, não havia prosperado, dando aos acusados a oportunidade de apresentarem as suas defesas.O próprio dr. Carlos Faria não havia, sequer, havia prestado depoimento na Justiça, porque não havia sido encontrado.
Noticiar que o Foliaduto não havia sido esclarecido, nem julgado, não é requentar noticiário nenhum. É cumprir o verdadeiro papel da imprensa onde existe liberdade de expressão.
Deplorável seria aceitar o congelamento de um assunto de tanta importância, deixando-o no completo esquecimento . Esquecimento que poderia gerar estímulos à impunidade ao mostrar que recursos públicos podem continuar sendo desviados, como aconteceu no Carnaval de 2006, e não vai acontecer nadinha com quem escolher esse caminho tortuoso.
Na geladeira, o Foiliaduto não chateava ninguém. Nem dava ao Estado a possibilidade de recuperar os recursos desviados. Era o que a turma do andar de cima queria.
Mais há um problema: – R$ 2 milhões de recursos públicos sumiram. Mas se sabe quem autorizou a liberação desse grana – passando por cima das rotinas administrativas – e quem recebeu o dinheiro na boca do caixa.
Tal assunto só seráriarequentado quando a Justiça se pronunciar, dizendo se houve ou não crime. Se os acusados são ou não culpados. E fosse apresentado em véspera de eleição para tumultuar o processo. Por ora, o lembrete do 4ª aniversário do foliaduto serviu para tirá-lo da geladeira, do esquecimento, do limbo.
Beneficiado com a presunção da inocência, um acusado não deve se defender optando pelo esquecimento da acusação. Tal procedimento pode até terminar sendo interpretado como confissão de culpa. Mas, como o Foliaduto saiu do freezer, é provável que se esclareça. O dr. Carlos Faria vai ter dez dias para apresentar sua defesa, agora que a juíza Ada Maria da Cunha Galvão mandou citar o acusado e ele foi localizado ao longo da semana que passou.
Quem – como nós – acredita sinceramente que o dr. Carlos Faria é muito mais vítima do que réu, e entende suas palavras sobre os maltratos que vem sofrendo, espera que ele se defenda mostrando a verdade. Pois só a verdade tanto resiste a ações para deixá-la congelada ou requentada. A verdade é soberana.






Se este problema for resolvido , o merito será do Novo Jornal, tem sido a sua meta .DESCONGELAR