
De Lidiane Lira para o TL
Não queria “chover no molhado”, porque notícia parecida já foi publicada aqui mesmo, no TL. Já sabia de vários casos de transporte interestadual (e intermunicipal também) que quebra na estrada, e dos passageiros que ficam no meio do nada, esperando por horas, até que o ônibus- socorro da empresa chegue para resgatar os sem sorte.
Ontem foi minha vez de ser sorteada, e me juntei aos inúmeros passageiros que rezam para chegar ao seu destino ainda que com horas de atraso. Não bastasse correr o risco na ida para João Pessoa, onde a viagem levou longas quatro horas e muito medo geral de ficar na estrada; na volta para Natal, o ônibus lotado, com crianças a bordo, quebrou na altura da cidade de Goianinha.
Não me perguntem que peça deu problema, o que sei é que aos rapazes (que sempre descem primeiro nesses casos) me contaram da possibilidade de incêndio em caso de continuar pingando óleo no motor. Não posso falar aqui no atendimento da empresa…
A empresa NORDESTE, naquele momento, era o motorista, tão vítima da situação quanto nós. Para nossa sorte (?), o motorista estava decidido a chegar a Natal, sem esperar o outro ônibus que sairia
de João Pessoa ou Natal, para nos resgatar depois das 22h, em um domingo, na beira da estrada.
Diz o guia da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) que é meu direito ser transportada com pontualidade, segurança, higiene e conforto, do início ao fim da viagem.
Li também meus deveres, e cumpro todos eles, mas acredito que ainda falte muito para que meus direitos sejam alcançados.
Quando pedi para Laurita publicar esse desabafo pensei em apenas citar a empresa que melhor conheço, a Autoviação Nordeste, por usar os serviços constantemente. Já estive em ônibus que a minha poltrona não reclinava, ônibus que o ar-condicionado molhava o chão inteiro no final da viagem, que a água do ar-condicionado pingava na minha cabeça, que chovia mais dentro do ônibus do que do lado de fora, e nunca escrevi nada sobre o assunto, mas essa quebra de ônibus (que não é uma raridade, muito pelo contrário) foi a gota d’água.
É revoltante perceber que em um Estado, que tanto se orgulha de ser destino turístico, não existe o mínimo cuidado em colaborar com a fiscalização desses ônibus intermunicipais e interestaduais, ou fazê-lo sem esperar a ANTT, para o bem da sociedade.
Por sinal, qual é o órgão responsável pela fiscalização e liberação dessas empresas, é a ANTT mesmo? Porque não existe concorrência para todas as rotas? Não temos direito de escolha.
Essa mentalidade tacanha, de achar que apenas pobre utiliza ônibus para deslocamento, não combina com uma cidade sede de Copa do Mundo. Me pergunto se é esse tipo de imagem que querem passar para quem chega e/ou sai de Natal. Estrangeiros também utilizam esse tipo de transporte, mas mais do que isso… Nós que somos daqui e merecemos um tratamento digno, utilizamos esse meio de transporte.
O passageiro, hoje, seja qual for a empresa que utilize, seja qual for o destino (intermunicipal ou interestadual), fica entregue a própria sorte, sem saber a quem recorrer, o que fazer.
Manutenção de ônibus é também questão de segurança, quando porão isso em prática? Estão esperando acidentes cada vez piores para que alguma providência seja tomada? E uma última questão, para encerrar esse texto… Até quando nós, sociedade, calaremos e aceitaremos mais esse descaso?