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Tricô que faz falta

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Hoje é o dia dos avós. Dizem que em homenagem à Santa Ana, a avó de Jesus Cristo. Semana toda de festa em muitas cidades de nosso Seridó devoto da avó dos católicos. Muitas fotos veremos de filhos ilustres – ou nem tanto assim – focando sua política de fé.

Mas falando de vó, nada mais justo que um dia só para lembrar e homenagear figuras tão santas em nossas vidas.

Pelo menos, foi assim pra mim…

Hoje não os tenho mais por aqui, mas raro é o dia que não as encontro em sonhos, cheiros ou na vida real. Seja citando ditados, simpatias e antipatias, lições de vida.

Procurando uma imagem para ilustrar o texto de hoje, nada mais simbólico do que uma senhora fazendo tricô. Um hobby em comum de vovó Alda e vovó Joanita. Talvez a única semelhança entre as duas.

Além da personalidade forte, claro. Cada uma de seu jeitinho, ocupando espaço como puderam. Na minha vida, nunca coadjuvante.

O croché filé de vovó Alda, sempre contado e tão milimetricamente medido também me traz lembranças em paninhos de bandeja, blusas e sapatinhos de meus filhos – guardados para as próximas gerações. O ligeirinho de vovó Joanita, sempre em volta de papos sobre política e seu inseparável rádio para ouvir a Cabugi, também me deixaram recordações como uma rede para minhas bonecas ou uma colcha com desenhos de rosas e babados na barra.

Mas o tricô que mais sinto falta de vovó Alda era o que fazíamos juntas . Não o de agulhas e linha Cléa esterlina. Confesso que até tentei, quando ela se dispôs a me dar uma agulha número 0.5. Fiquei na trancinha. Cá pra nós, muito mal feitinha. Ela viu que me faltava paciência para contar aqueles pontos todos.

Preferi tricotar de outra forma. Entrávamos à noite assistindo novelas de época, como ela gostava de chamar. Como ela, vibrava com a moda, penteados e o romantismo do amor impossível, inatingível.  Sinceramente, nem sei se era bem o romantismo ou uma forma de compartilhar seu passado comigo. Algum link para puxar o fio e dizer como era ler depois que tocava o sino em Macau para apagar a luz e ela ficava com a vela acesa até a madrugada. Ou como era tomar banho vestida no colégio interno de Assu. – as freiras sempre muito rigorosas- e mesmo assim sua vontade de seguir por um tempo o caminho de religiosa. . E eu sempre a ouvir, mesmo que por duas ou três vezes o mesmo episódio. Gostava de ver como sempre contava da mesma forma. Sinal que não mentia, né? E a noite de núpcias? Nem piscava, apesar do não dito,  experiências que me ficavam com a sua inexperiência.

Minhas duas avós também não eram dadas a cozinhar. Acho que uma porque desde cedo começou a trabalhar com seu pai, que só tivera filhas mulher. Seja com algodão, gado ou comércio, depois, ao lado de meu avô. Sem falar na política. Paixão que nunca precisou esconder e/ou terceirizar.  A outra  porque “até sabia” cozinhar, mas gostar mesmo, não gostava. Preferia ler um bom livro no veraneio de Ponta Negra ou na casa – e depois apartamento – da R. Cláudio Machado. Ah, como era bom também não saber/gostar de cozinhar. “Puxou a … “!

Mesmo assim, algumas coisas eram bem mais saborosas na casa dela. Não sei a razão, mas o queijo prato Regina era diferente do lá de casa. Às vezes dizia isso a minha mãe. “Mas compramos juntas e no mesmo lugar…” Talvez fosse a forma de cortar com palheta ao invés da faca. Outro sabor especial era do café com leite com pão assado. “Mas a padaria também é a mesma…”. Igual é que não era.

Hoje, vejo meus filhos sentindo esse mesmo gostinho especial na casa de minha mãe. O filé e a batatinha de lá são imbatíveis. Sem falar no feijão preto, que meu sobrinho até já pensou em levar para São Paulo .  Parece que o filme se repete. Poderia escrever muito mais sobre essa recordações, que tanto me fazem bem.

Linha vai e vem, e o tricô continuou na adolescência . A época das primeiras paqueras e festas compartilhada com a melhor confidente. Além da confiança, a certeza que podia contar com suas orações. Entre terços e velas acesas, palavras de compreensão e otimismo. Aquela segurança e disponibilidade que só avó sabe dar. Com a juventude também, vieram as comparações de familiares sobre a semelhança de minha personalidade com a delas. Oras com Alda, oras com Joanita. Do físico também. Como não admirar aquelas mulheres? “Quem puxa aos seus, não degenera” poderia hoje dizer vovó Alda, que sempre tinha uma resposta pronta na ponta da língua. Como é bom puxar aos seus, não degenerar.

Porque cultivar nossas raízes é um bom caminho para não deixar a árvore morrer ou deixar de dar frutos. Viva Santa Anna!

A gigante acordou?

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Nunca antes na história desse RN um começo de Governo foi tão apoiado quanto o de Robinson Faria. Oposição, ninguém sabe, ninguém viu. Palanques desarmados automaticamente com o advento … posse.

Salvo uma meia dúzia de “inconformados” apontados nas incansáveis entrevistas de RF, que poucos também viram ou ouviram falar.

Assembleia, prefeitos, Câmaras, Federação dos municípios, partido A, B ou C, todos devidamente alinhados com o PG- Partido do Governo.

Última semana antes de iniciar o recesso Legislativo, vozes isoladas parecem ter acordado na Assembleia dita do povo.

A gigante pela própria natureza voltou a ser palco de discussões antes cotidianas sobre negociação da conta única do RN e de falta de transparência do Executivo na utilização do Fundo dos aposentados.

Coube ao deputado José Dias, apoiador de primeira hora do governador eleito, abrir a caixa preta :

– Nunca um governo iniciou seus dias com tanto dinheiro em caixa…

Mas fez a ressalva também que se não fosse a costura feita por ele mesmo junto a seus pares, a situação seria outra, Talvez nem o Palácio José Augusto sobrevivera a descontentamentos invasões. Viva, a unificação dos Fundos!

E seguiu creditando o feito à benevolência da Casa Mãe e questionando um pretenso filho ingrato, que “até hoje nunca agradeceu nada àquela AL..”.

Ato, aliás, esperado para o dia seguinte se não fosse a marcha-ré de Faria. Achou melhor deixar para depois do recesso, atendendo recomendações de quem rege a silenciosa orquestra.   – Quem sabe, o gigante adormece outra vez.

Fato é que esta semana pode ser um recomeço de uma nova e salutar história, em que a democracia é fortalecida com o trabalho dos que se permitem pensar diferente. Dos que foram eleitos para isso e assim se cobram. Foi o mantra repetido também pelos deputados  Kelps Lima, Ricardo Motta, Getúlio Rego.

Não chega a meia dúzia tão propalada pelos amigos do rei, mas quase lá. Um bom começo para acordar gigantes e verdades silenciadas

Opção pela cegueira

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Li há alguns anos “Ensaio sobre a cegueira” de José Saramago. É um livro recorrente na minha vida porque vez por outra me sinto  em suas páginas.

Semana passada, o sentimento aumentou. Pra quem não teve oportunidade de ler, vou tentar resumir sem  pretensão de resenhá-lo.

Trata de uma doença que vai se alastrando na cidade e cegando pessoas por uma razão desconhecida. Aos poucos, pessoas com visão vão desaparecendo até se resumir a mulher do médico.

Perdoem alguma imprecisão! O mais importante da obra, que ajudou a imortalizar o autor português, é a reflexão sobre o ser humano num ambiente caótico; como vão os limites da ética, do respeito, pudor, amor próprio, certo… e errado.

É como se o fato de não enxergar gerasse o reflexo imediato da transparência. Invisíveis portanto inatingíveis pelo julgamento das regras e moral postas.

Será que no mundo Big Brother essa imunidade é possível sem julgamento público? Pior, é possível passar incólume em meio a tantas provas disponíveis e  irrefutáveis?

Resolvi fazer algumas ilações com direito a certo X errado sobre situações cotidianas…

Se hoje fôssemos a um dentista e ele não nos avisasse que estaria colocando material de segunda e cobrando tabela A, como nos sentiríamos?

Ou se fôssemos a uma quitanda comprar a carne para o churrasco do fim de semana e o comerciante não nos avisasse que aquela mercadoria passara dias sem refrigeração para escapar do alto preço da energia?

Ou se fôssemos assistir a um jogo de futebol e descobríssemos depois que a partida fora decidida antes entre os cartolas e não em campo?

Ou ainda se ligássemos o  rádio para ouvir uma entrevista de um gestor e as perguntas tivessem sido previamente acertadas  com os jornalistas da emissora?

Teria o mesmo valor, peso, interesse? Se não, #tamojunto.

Mas e  se depois de tudo isso, todos acharem normal, defenderem a nova ordem mundial em razão das circunstâncias da vida real, sobrevivência, a vida como ela é? #nãomerepresenta.

No livro, uma cena chama atenção ao final. Quando um dos sobreviventes – com visão –  entra na igreja  e encontra todos os santos com os olhos vendados; “se os céus não veem, que ninguém veja.”

Hoje com o mundo passando por cameras de videos em pequenos celulares e em segundos compartilhados com o mundo, a cegueira parece aliada da falta de indignação.

Estamos perdendo a capacidade de enxergar. Mesmo com lupas, óculos, lentes, câmeras mil com zilhões de visualizações no Youtube.

A cegueira coletiva e contagiosa é… você decide.

Comunismo e terceirização

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A primeira viagem internacional do governador Robinson Faria (PSD) no último dia 24  foi marcada por uma polêmica de direito e propriedade.

O primeiro ato de seu vice em exercício Fábio Dantas (PC do B) ganhou as páginas impressas e eletrônicas com o decreto de desapropriação de terreno pertencente a um dos edifícios mais tradicionais da capital potiguar – localizado na nobre avenida Getúlio Vargas – o Edifício Luciano Barros.

Aparentemente um ação que interessa a um público resumido; funcionários do TCE X proprietários do Edifício. Nem tanto…

O assunto rendeu …

Uma das críticas merecedora de destaque foi a do petista Carlos Alberto Medeiros:

– “Num estado sem presídios e hospitais o governo investe recursos próprios em estacionamento de luxo?”

Medeiros foi candidato a vice prefeito de Natal na chapa do deputado Fernando Mineiro, também do PT, que preferiu não se manifestar.

No dia seguinte, foi a vez do médico Ivis Bezerra falar em nome do condomínio :

– Recebemos com surpresa. O governador Robinson Faria assegurou que não assinaria. Realmente ele não assinou, mas o substituto assinou com a concordância dele. Se ele não concorda, vai ter que tornar sem efeito esse decreto.”

O Governo do Estado ainda sob o comando do vice comunista distribuiu uma nota, destacando que o ato partiu de solicitação do TCE, falou no interesse público e na “responsabilidade do Tribunal com os recursos para a desapropriação”.

Mais repercussão “ipsis literis” em blogs e portais RN afora.

Mas no mundo livre das redes sociais (aquele que Humberto Eco chamou de território de imbecis)  o assunto não parou de dividir curiosos e interessados – mesmo sem interesse – com opinião formada sobre quase tudo.

Prós e contras, espigas de fora, uma professora de Direito Administrativo ganhou eco especial entre seus mais de vinte mil seguidores.

A professora Patricia Carla abordou de forma didática em 140 caracteres vezes quatro ou cinco posts seu parecer:

I-  O TCE está confundindo UTILIDADE PÚBLICA com conforto e comodidade para seus servidores;

II- TJ, AL, Câmara Municipal do Natal não tem estacionamento. O TCE instalado na área mais nobre de Natal (na cara do mar) quer ter!

III- O vice governador do RN já disse que quer ser conselheiro do TCE, né? Ahhh… entendi…

Se ideologia comunista ou preocupação com a mobilidade urbana da Ladeira do Sol motivaram o decreto em favor do Tribunal não se sabe, fato é que o governador titular voltou de Buenos Aires decidido ; Não vai interferir mais nessa questão.

Foi o que revelou na quarta-feira ao repórter Dinarte Assunção do Portal Nominuto :

– Eu disse que tinha boa vontade para que não acontecesse, mas não posso privilegiar um grupo em detrimento de uma instituição, ou vice-versa. Seria o caso de eu ser indagado juridicamente se tomasse um partido ou outro.”

Mais

– “Não posso prometer aos moradores porque não estou acima da lei . Se o TCE, que tem sua autonomia e orçamento , acha que essa medida é importante, e a PGE também, então vamos parar de se politizar. Isso é uma questão técnica.

Talvez este episódio ilustre com clareza uma verdadeira “quebra de paradigmas” tão propalada pelo governador. Depois de terceirizar uma decisão técnica e não política para seu vice, a mesma poderá ser terceirizada para o Poder Judiciário.

Imbróglio que pode parecer de menor consequência em se tratando de um estacionamento, mas significativo se vira prática administrativa; um vice agindo bem mais que vice.

Questão de estilo

Foto TL_Crônica

Vocês não imaginam a saudade que estou de nossas conversas de domingo. Hoje ela bateu forte. Quando li a crônica de Agnelo na Tribuna do Norte, dobrou. Continue lendo →

Mãe com M maiúsculo

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Em dias de mundo virtual, quando e onde todos nós temos controle para fazer uma coluna social de nós mesmos difícil é distinguir realidade da ficção. Cada vez mais. Continue lendo →